1/8/2009

Falhas de Arquitetura de Informação do Submarino impedem localização de produtos

Há várias semanas eu assistia às vinhetas da MTV sobre os Adesivos MTV e resolvi acessar o site para saber como adquirí-los, pois estava interessada em "tunar" meu notebook (coisa de designer, hehe). Vi, então, que eles estavam disponíveis online no Submarino.

Página dos Adesivos MTV

Ao acessar o Submarino, me deparei com uma sequência de falhas de arquitetura de informação. Primeiramente, esperei encontrar alguma referência aos referidos produtos da MTV, dada a ênfase que a emissora e o fato do Submarino ser a única loja virtual a oferecê-los. Até aí, tudo bem. Pesquisando por "adesivos MTV", consegui encontrar tudo referente à MTV, menos os adesivos.

Resultados da busca por "adesivos MTV"

Depois de várias tentativas de pesquisa, resolvi ir diretamente à categoria "Papelaria" e realizar uma nova busca por "adesivos MTV". Eis que novamente aparece de tudo, menos o produto requerido.

Nova busca dentro da taxonomia do site

Por fim, depois de alguns dias tentando sempre achar os produtos e navegando por várias páginas de resultados para ver se os encontrava, encontrei um tipo de adesivo para iPod com arte semelhante aos exibidos nas propagandas da MTV. Resolvi então pesquisar por "adesivos" + a marca do produto. Aí sim, comecei a encontrar os adesivos para notebooks que me interessavam.

Finalmente são encontrados os resultados que procurava

Para terem noção do quanto foi custoso achar o produto, vejam quantos termos precisei pesquisar para chegar à informação que eu precisava:

Termos pesquisados por "adesivos MTV"

Em resumo, o site apresenta diversas falhas em sua arquitetura de informação que podem impedir também a localização de diversos outros produtos:

  • Sistema de busca: os algoritmos utilizados nem sempre são eficientes para encontrar os termos que o usuário deseja. Por exemplo, a pequisa que fiz por "adesivos mtv" aparentemente foi compreendida como "adesivos OU mtv" e não "adesivos E mtv". Quando falamos em AI nos preocupamos mais com os wireframes e o fluxo de navegação, mas não podemos deixar de esquecer o papel fundamental do sistema de busca para encontrar informações em um website;
  • Nomenclatura de produtos: o cadastro de produtos contendo especificações mais técnicas muitas vezes pode ajudar a encontrar os produtos, como é o caso de computadores e eletrodomésticos, mas é preciso considerar também o quão intuitiva é a nomenclatura atribuída aos produtos. Neste caso específico - e acredito que em outros casos também - isto implicou em um alto custo de encontrabilidade da informação.

[icone comentario] 2 pessoas comentaram o post até agora.


21/7/2009

TCC, Twitter, HTML 5...

Sim, eu estou viva! Depois de muuuuitos meses (e põe muito nisso) voltei à blogosfera. E no post de retorno nada poderia ser mais oportuno do que uma "justificativa" de minha reclusão do mundo virtual, rs.

Este semestre foi bem trumultuado e também cheio de novidades. Bom, o principal motivo que praticamente me obrigou a definir meu blog como very low priority foi o famigerado Trabalho de Conclusão de Curso, o TCC. Todos que já passaram por esta experiência inesquecível (ou diria terrível?) sabem que neste período devemos fazer algumas concessões. Somente para constar, estou trabalhando em meu TCC com interfaces inteligentes e adaptativas para aplicações web de portal corporativo, um tema bem complexo que concatena Engenharia de Software com Inteligência Artificial (sim, eu estou doida, já me falaram isso). Não consigo mais escrever uma linha de texto qualquer sem pensar nas normas ABNT para monografias, rs.

Ah, claro, não poderíamos deixar de lado a grande fever do momento: o Twitter, que, se não me engano, já alcançou maior número de usuários do que o Orkut no Brasil. Em poucos meses o aplicativo de microblogging, que já existia há algum tempo, virou mania no mundo todo, conectou celebridades e até mesmo a Casa Branca com qualquer pessoa do mundo, destruiu relacionamentos, enfim, renovou a forma de comunicação multilateral entre usuários. É claro que nem todos os twitteiros postam coisas interessantes, mas muitas pessoas encontraram no Twitter uma forma de disseminar conhecimento e links interessantes. Inclusive, também entrei no hype do twitter: www.twitter.com/talitapagani. Dessa iniciativa do Twitter, surgiram projetos interessantes, como o Yammer, um tipo de Twitter mas para empresas, onde os usuários somente vêem posts de outras pessoas que possuem e-mails do domínio da mesma empresa, permitindo criar também grupos e gerenciar um organograma da empresa.

E, por fim, o W3C anunciou este mês que o projeto do XHTML 2.0 será descontinuado para que possa ser prosseguido o desenvolvimento das especificações do HTML 5. A princício, será um pouco estranho retroceder a práticas antigas herdadas do HTML 4.01, como declarar atributos sem valor ou não colocar o fechamento abreviado em tags órfãs como o <br>, mas a intuito será trazer algumas das especificações do XHTML para o HTML 5, mas isso já é assunto para um outro post. Para que quiser saber mais, a Smashing Magazine divulgou uma cheat sheet (guia de consulta rápida) do HTML 5.

Logo (desta vez é logo mesmo) voltarei com novos posts.

[icone comentario] Nenhuma pessoa ainda comentou o post.


27/12/2008

Websites para mobile não são miniaturas dos sites convencionais - parte II

Como visto no artigo anterior, páginas desenvolvidas para dispositivos móveis têm características singulares e diversos quesitos a serem seguidos no momento de confeccioná-las. Um destes critérios é o DOCTYPE adequado, que permite tanto a correta renderização das páginas quanto a validação e mensuração das mesmas.

O Doctype correto para WAP

Os navegadores de dispositivos móveis são mais exigentes. As páginas devem ser construídas como XHTML strict, ou seja, não há tolerâncias para tags que não pertençam mais ao XHTML. Fazemos esta indicação através de um Doctype específico para WAP que é utilizado, inclusive, pelas ferramentas de depuração para avaliar se o site contém erros de marcação e semântica. O Doctype a ser utilizado é o seguinte:

<?xml version="1.0"?> <!DOCTYPE wml PUBLIC "-//WAPFORUM//DTD WML 1.1//EN" "http://www.wapforum.org/DTD/wml_1.1.xml">

Sem esta declaração no topo do documento, alguns navegadores nem ao menos abrem a página.

Testando e validando sua aplicação

Uma questão importante é saber de fato como o seu website irá aparecer nos dispositivos móveis. Quando eu acreditava que apenas um CSS era suficiente para fazer de um site mobile-friendly, testava apenas mudando o media-type e reduzindo o tamanho da janela do navegador. Ledo engano.

A renderização irá depender dos dispositivo, do navegadores e da resolução utilizados. Além disso, é preciso avaliar questões como o custo e tempo do carregamento. Mas como?

O site ready.mobi, que me forneceu embasamento para o artigo anterior, possui uma ferramenta de mobile-checker. Ela avalia o custo, o tamanho da página, fornece um ranking (de 0 a 5) e aponta acertos e erros baseados em determinadas premissas como a semântica do código, uso de folhas de estilos, configurações de performance, etc. Além disso, ele possui um simulador onde é possível testar sua aplicação em aproximadamente 5 aparelhos distintos.

Não podemos esquecer também o OperaMini, que ganhou um artigo há mais de dois anos aqui no blog. O simulador do OperaMini - navegador presente em diversos aparelhos - permite testar sua aplicação como se estivesse realmente utilizando a interface de um celular.

Adobe Device Central

Mas o destaque maior dentre as ferramentas que já utilizei vai para o Adobe Device Central, software presente a partir do Creative Suite 3, que possui integração com o Dreamweaver e permite testar em centenas de aparelhos de diversos fabricantes com resoluções diferentes, com direito até à skin do celular que está sendo utilizado. Com esta ferramenta, é possível ver claramente as discrepâncias na renderização das páginas web de acordo com o aparelho.

Outros simuladores

Para quem busca softwares que simulam outras plataformas de mobile, sugiro os sites da Nokia, BlackBerry e Windows Mobile, que possuem até mesmo alguns SDKs para desenvolvimento e outros tipos de aplicativos. Para o iPhone e iPod Touch, a renderização das páginas em mobile é normal utilizando o Safari, pois ele é capaz de dar zoom nos elementos a serem interagidos pelos usuário. Entretanto, você pode fazer o download do SDK para iPhone e desenvolver executáveis para o aparelho, mas precisará ter um Mac.

Validando o código segundo o W3C

Há agum tempo atrás, o W3C possuia apenas as diretrizes para mobile, mas não havia desenvolvido um validador específico para este fim.

Mas recentemente foi inaugurado o W3C Mobile Checker, que possui a mesma função do validador padrão de XHTML. Diferentemente do ready.mobi, que segue as diretrizes do W3C para realizar a validação, o Mobile Checker "oficial" é muito mais rigoroso, porém, completo.

Bom, pessoal, ficam aí as dicas das principais práticas para quem deseja se aventurar neste pequeno mundo móvel, que ainda tem muito a oferecer e modificou a maneira de se pensar sobre web.

Até a próxima e Feliz Ano Novo!

:)

Referências

Ready.mobi

CYBIS, W, et.al. Ergonomia e Usabilidade: Conhecimento, Métodos e Aplicações. São Paulo: Novatec Editora, 2007.

Linha de Código - Introdução à tecnologia WAP

[icone comentario] 3 pessoas comentaram o post até agora.


8/12/2008

Websites para mobile não são miniaturas dos sites convencionais - parte I

Depois de (mais uma) temporada fora da rede graças ao famigerado final de semestre da faculdade, estou de volta à blogosfera e pretendo tirar do papel - literalmente - todos os meus artigos acumulados até o momento.

Bem, antes de começar o assunto de hoje, ainda não foi neste ano que virei Peixe Grande. A concorrência era forte, competente e numerosa, rs. Mas apenas competir sempre vale a pena, parabéns aos vencedores e obrigada a todos que votaram em mim.

Agora sim, falemos de mobile. Depois de ter participado, no início do ano, do desenvolvimento da versão mobile para o software eDirectory, pude aprender muito sobre aquele pequeno mundo de 180x200 pixels e muitos dos conhecimentos que eu tinha sobre o assunto foram completamente renovados, pois descobri muitas particularidades interessantes do ambiente móvel. Portanto, gostaria de compartilhar o meu aprendizado na parte do design de interface. As dicas da seção 2 do artigo foram retiradas do site ready.mobi, ferramenta muito útil avaliação e que será explorada na seção 3, presente no próximo artigo.

1º) Mitos/dogmas x Verdades

Quando se fala em desenvolviemento para mobile, as pessoas tendem a reagir de dois modos extremos: acreditam que é complexo demais, pois é completamente diferente da web "convencional"; ou acreditam ser muito simples, por ser uma versão minimalista do site utilizando apenas uma folha de estilos para este tipo de dispositivo. Eu me enquadrava no segundo perfil.

A verdade é que as diretrizes para desenvolvimento mobile compreendem um conjunto amplo de práticas que não se encontram em nenhum dos extremos, mas sim no meio termo.

O objetivo de um site para dispositivos móveis é oferecer informações diretas e sucintas e/ou prover tarefas específicas, geralmente as mais usuais do site/aplicação convencional. Unindo à isso as limitações físicas do aparelho (telas reduzidas, número de cores, utilização totalmente dependente do teclado) e o contexto do usuário (uso em movimento, imediatismo na entrega das informações e acesso fácil), temos a prova de que a interface de websites para mobile não deve ser uma reprodução miniaturizada do site original, como afirma Cybis et.al. (2007), apenas reduzindo cores e tamanhos de fontes, pois os modelos de interação são completamente diferentes. Como veremos abaixo, nem mesmo o HTML deve ser o mesmo. Portanto mediatype="handheld" não é suficiente para fazer um site acessível via dispositivos móveis.

2º) As regras de ouro

CSS e Apresentação

Utilize porcentagens e medidas relativas como em, ex, bolder, larger e thick.

A utilização de tabelas para o layout é considerada uma prática ruim, principalmente para dispositivos móveis. O layout das páginas é efetuado de modo mais eficiente utilizando CSS e o layout resultante é mais fácil de linearizar e renderizar em um contexto reduzido, como as telas dos dispositivos móveis. Além disso, o uso de tabelas quebra a distinção entre a estrutura sendo representada separadamente do layout.

Não utilize marcação inline como, por exemplo <b>texto</b>, para modificar a apresentação de sua página. O uso de CSS auxilia na consistência de estilo e a centralização ajuda a reduzir o peso da página.

Minimização de custo

O tamanho das páginas (incluindo imagens e folhas de estilo), em kilobytes, deve ser pequeno uma vez que páginas páginas "grandes" demoram para carregar e, em algumas operadoras, aumentam os custos do acesso.

Não utilize marcações para redirecionar páginas, pois isto incorre no custo de carregamento e processamento da página. Ao invés disso, configure o servidor para realizar redirecionamentos utilizando os códigos HTTP 3xx.

Observe que os redirecionamentos devem ser evitados para todos os custos pois cada um aumenta tanto tempo quando custo de visualização da página final.

O uso de informações em cache pode reduzir a necessidade de carregar novamente recursos como imagens e folhas de estilos, reduzindo também tempo e custo de download. Cache é particularmente importante para dispositivos móveis devido à alta latência tipicamente apresentada nas redes móveis.

Usabilidade e Acessibilidade

Uma boa prática a ser utilizada, exceto para pequenos documentos, é indicar a estrutura do mesmo através de tags de título e subtítulos. Utilizar marcação estrutural, no lugar de efeitos de formatação permite uma adaptação fácil do conteúdo onde ele precisa ser dividido em muitas páginas, bem como potenciamente facilitar o acesso a seções do documento nas quais o usuário está interessado. Nos lugares onde as tags de cabeçalho (título e subtítulos) são utilizadas, elas devem ser aplicadas de acordo com a especificação, ou seja, aninhadas corretamente de acordo com o nível de cada uma.

A menos que você saiba que o dispositivo é capaz de submeter um formulário sem um botão de submit (ex.: utilizando javascript), deve ser garantido que cada formulário presente no site tenha um botão de submit. Caso contrário, os usuários poderão não utilizar seu site corretamente.

Valores padrões pré-selecionados para campos de formulários devem ser providos sempre que possível, pois isto reduz a quantidade de entrada de dados que o usuário deve fazer. Dadas as limitações dos dispositivos móveis, a interface interface deve minimizar ao máximo as entradas de dados do usuário. Quando possível, utilize listas de seleção, radio buttons e outros controles que não requerem digitação.

O título da página deve ser curto e descritivo para permitir uma fácil identificação, mas tenha em mente que ele pode ser truncado quando visualizado nos dispositivos móveis. Muitos dispositivos usam o título da página como um rótulo padrão para os bookmarks, então o título deve ajudar a identificar o conteúdo.

Não tente abrir janelas pop-up, pois muitos dispositivos móveis não têm suporte a este recurso. Mesmo quando eles são suportados, mudar a janela atual sem informar o usuário pode causar confusão.

Muitos dispositivos móveis não suportam elementos embutidos (ex.: flash) ou scripts e, em muitos casos, o usuário não tem condições de baixar um plug-in para dar suporte a estes recursos. Por isso, o conteúdo deve ser projetado com isto em mente. Mesmo quando o dispositivo suporta scripts, não os utiliza a menos que não haja outra forma de atingir seus objetivos. Scripts aumentam o consumo de energia e diminuem a vida útil da bateria.

Renderização

Evite medidas absolutas e em pixels, permitindo que os navegadores ajustem o conteúdo à tela. Uma exceção à regra é quando uma imagem foi dimensionada especificamente para um formato de tela. Neste caso, as referência da imagem na marcação podem especificar as dimensões exatas da imagem em pixels para ajudar o navegador a continuar o carregamento da página e evitar o recarregamento depois da página ter sido exibida por completo. Os dispositivos podem perceber melhor as intenções do desenvolvedor se as margens, bordas e espaçamentos forem especificados em pixels.

A página deve ser organizada de modo que o conteúdo possa ser lido sem as folhas de estilos.

No próximo artigo...

Mais diretrizes de usabilidade para mobile, dicas de ferramentas e qual o DOCTYPE correto em documentos XHTML exibidos em dispositivos móveis.

Referências

Ready.mobi

CYBIS, W, et.al. Ergonomia e Usabilidade: Conhecimento, Métodos e Aplicações. São Paulo: Novatec Editora, 2007.

[icone comentario] 5 pessoas comentaram o post até agora.


6/10/2008

Quero ser Peixe Grande!

Vote Aqui! Começou mais uma edição do concurso Peixe Grande, maior premiação de Web Design no Brasil promovida pela Arteccom e, este ano, volto a concorrer ao prêmio nas categorias Freelancer e na recém-criada Blog.

Gostaria de pedir a todos que contribuissem com o seu voto (parece até discurso de político, rs):

Vote www.talitapagani.com na categoria Freelancer

Vote blog.talitapagani.com na categoria Blog

Obrigada ;)

[icone comentario] 1 pessoa comentou o post até agora.


« Anteriores Próximos »

//Sobre o WDXP

Talita PaganiWebdesign Experience é o blog de Talita Pagani sobre experiências e pensamentos envolvendo desenvolvimento web. Talita é designer de interfaces há mais de 4 anos. Reside em Bauru/SP, onde cursa Ciência da Computação na USC e trabalha em uma empresa de desenvolvimento web. Além disso é colunista do Outrolado.

» Saiba mais

//Links



TalitaPagani.com by Talita Pagani Britto is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
As imagens para a composição do layout foram gentilmente cedidas por Dez Pain e Linden Laserna.